Publicado no National Sleep Foundation

“Dormir cedo, acordar cedo faz um homem saudável, rico e sábio”, disse Benjamin Franklin. Mas será que este ditado se aplica aos adolescentes?

Pesquisadores na década de 90 realizaram alguns estudos e descobriram que os horários tardios de sono e vigília nos adolescentes são biologicamente determinados, ou seja, há uma tendência natural nos adolescentes para ficar acordado até tarde da noite e dormir até mais tarde. Então os sinais das escolas que batem tão cedo, às 07 h em muitas partes do país, contrastam com os padrões e as necessidades de sono dos adolescentes.

Existem evidências de que os adolescentes, de fato, sofrem seriamente de privação de sono. Uma pesquisa recentemente realizada pela Fundação Nacional do Sono (National Sleep Foundation) revelou que 60% dos jovens menores de 18 anos queixaram-se de cansaço durante o dia, de acordo com seus pais, e 15% disseram que dormiam na escola durante os dias letivos.

Em 2 de abril de 1999, o deputado Zoe Lofgren (D-CA), apresentou uma resolução no Congresso para incentivar as escolas e os distritos escolares a rever os horários de início de aula das turmas que estudam pela manhã de modo a encontrarem uma sintonia com as características biológicas dos adolescentes. A Resolução 135 ou “os ZZZ para os Adolescentes” do Congresso incentivou as escolas e os distritos escolares em todo o país a atrasar o início das aulas para horários não muito mais cedo que 8h30.

“Espero que isto sirva de alerta para os distritos escolares e pais em todo o país”, disse Lofgren. “Com o início das aulas muito cedo, às vezes antes das 07 h, os adolescentes não conseguem dormir o tempo suficiente”.

“Com o tempo, a privação do sono pode levar a consequências graves para o desempenho escolar, comportamento social, saúde e segurança da juventude de nossa nação”, e o congressista acrescentou. “Temos que incentivar as escolas a atrasar os horários de início das aulas, pelo menos, para as 8h30 – um horário mais adequado as necessidades biológicas de sono e vigília dos adolescentes e mais parecido com a jornada de trabalho dos adultos.”

Dados do plebiscito

De fato, a opinião pública parece concordar com a resolução “Zzz para os adolescentes” de Lofgren. De acordo com uma pesquisa de opinião, “Sleep in America”, realizada em 2002 pela National Sleep Foundation, 80% dos entrevistados disseram que as aulas não deveriam começar antes das 08 h, quase a metade dos entrevistados (47%) disse que o horário de início das aulas deveria ser entre 8 h e 08h30. Apenas 17% dos entrevistados disseram que as aulas do Ensino Médio deveriam começar antes das 8 h da manhã.

Consequências

A Dra. Kyla Wahlstrom da Universidade de Minnesota, verificou em seu estudo o impacto do atraso dos horários escolares no desempenho dos alunos. Após a mudança nos horários de sete escolas públicas (Ensino Médio) distritais em Minneapolis de 7h15 para 8h40, a Dra. Wahlstrom descobriu que os estudantes são beneficiados com a possibilidade de dormir cinco horas ou mais por semana. Ela também verificou uma melhora nas taxas de frequência e de matrícula, um aumento no alerta e a redução na depressão relatada pelos estudantes. Muitos especialistas concordam que os adolescentes necessitam de 8h30min à 9h15min de sono por noite, porém, realmente poucos dormem o tempo que necessitam.

Mesmo com a importância dos resultados nas pesquisas, as mudanças de horários das aulas são um desafio para os distritos escolares. Os administradores (equipe escolar) também teriam que atrasar os horários de trabalho; treinadores se preocupam com os horários dos treinos e muitos pais escolhem os horários de escola no sentido de conciliar o horário do transporte escolar com o do seu transporte para o trabalho. Por outro lado, a preocupação dos estudantes é de que o atraso nos horários das aulas acarrete numa redução no tempo que possuem para atividades extracurriculares ou de trabalho.

Ainda assim, existem motivos convincentes para atrasar os horários de início das aulas. A especialista renomada em sono de adolescente, PhD Mary Carskadon, aponta diversas vantagens de se prolongar o sono nos adolescentes:

  • Redução na probabilidade de apresentar depressão;
  • Redução na probabilidade de se atrasar nos compromissos;
  • Redução na evasão escolar;
  • Melhoria nas notas escolares;
  • Redução do risco de adormecer enquanto dirige; e
  • Redução do risco de déficits nutricionais e metabólicos associados à privação de sono, incluindo a obesidade.

A Dra. Carskadon é diretora do Laboratório de Cronobiologia/Pesquisa do Sono do Hospital Bradley, em East Providence, RI, professora do Departamento de Psiquiatria e Comportamento Humano da Faculdade de Medicina da Universidade de Brown, e membro da equipe de força tarefa sobre Sono e Adolescência do NSF. Com o reinício das aulas no segundo semestre, os horários escolares podem continuar a ser tratados como um “tema quente”. Até o momento, as escolas ou distritos em 19 estados atrasaram os horários de início das aulas, e mais de 100 distritos escolares em mais 17 estados estão considerando a possibilidade de atrasar o início das aulas.

“Mudar os horários de início das aulas não é a única providência importante”, disse a Dra. Carskadon. Ela também defende a redução na defasagem de sono no fim de semana (ou do hábito de ficar acordado até mais tarde). “É importante acrescentar o sono no currículo escolar em todos os níveis e tornar o sono uma prioridade positiva.”

Em defesa

Advogar por Escolas Amigas do Sono (Sleep-Friendly Schools) pode parecer uma tarefa difícil, porém, aqui você vai encontrar dicas, matérias e estudos de casos que apóiem seus esforços e ajudem-nos a conduzir uma campanha em defesa deste assunto. O sono é tão importante para todos nós, e para os adolescentes parece quase impossível se obter uma duração suficiente. Portanto, hoje não se pode dormir sobre o assunto e ajudar a criar escolas amigas-do-sono que promovam a saúde, segurança e produtividade nos estudantes!